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Sobre

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Pedro Caetano

Artista Plástico e Arquiteto

O curso de arquitetura foi responsável por aproximar Pedro do horizonte das artes. No último ano da sua graduação (2008) iniciou sua produção pictórica.

Atualmente divide seu tempo entre o atelier de pintura e o ofício de arquiteto. O desenho sempre foi o elo de suas atividades.

Vive e trabalha em Maceió.

Formação

2008

2012 

2012

2016

2016

2020

Graduação em Arquitetura e Urbanismo

Pelo Centro Universitário Cesmac | Maceió - Alagoas

Pós-graduação lato sensu em Paisagismo

Pela Universidade de Fortaleza (Unifor) | Fortaleza/CE

Cursos de processo criativo, desenho artístico e história da arte

Pela Escola Panamericana de Arte e Design de São Paulo | São Paulo/SP

Curso de férias “Maratona de pintura”, com Deborah Paiva

Instituto Tomie Ohtake | São Paulo/SP

Oficina aberta “Pintura prática e reflexão”, com Paulo Pasta

Instituto Tomie Ohtake |São Paulo/SP

Curso sobre a Arte do Século XXI com  Marcelo Rocha

Pelo Parque Lage EAV | Rio de Janeiro/RJ 

Exposições Individuais

2012

2014

2015

2015

2020

Na janela do Olhar 

Fundação Pierre Chalita | Maceió - Alagoas

Exposição Divina

Divina Gula | Maceió - Alagoas

Ranhuras

Sesc Senac Iracema | Fortaleza – Ceará

Ranhuras

Complexo Cultural Teatro Deodoro | Maceió - Alagoas

Diálogos Urbanos

Complexo Cultural Teatro Deodoro | Maceió - Alagoas

Exposições Coletivas

2008

2009

2010

2010

2010

2011

2012

2012

2013

2013

2013

2017

2019

2019

2020

2022

Intimidades

ESAMC | Maceió - Alagoas

XV Unifor Plástica

Fortaleza – Ceará

Copa com Arte

Galeria Vicente Leite FA7 | Fortaleza – Ceará

Diversidades

CESMAC | Maceió - Alagoas

Amigos em ação

Galeria Pagliuca | Fortaleza – Ceará

Amigos em ação

Galeria Pagliuca | Fortaleza – Ceará

Artistas Arquitetos

Galeria Vicente Leite FA7 | Fortaleza – Ceará

Tríade Expressionista

Galeria Spazio Surreale | São Paulo - SP

XV Salão de Pintores Alagoanos

Tribunal Regional do Trabalho (TRT-AL) | Maceió - Alagoas

6ª Mostra Cultural "Novos Olhares"

Instituto da Visão | Maceió - Alagoas

"A arte dos novos", Salão de Arte da Marinha

Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso | Maceió - Alagoas

10ª Mostra Cultural "Arte Para Todos os Sentidos”

Instituto da Visão | Maceió – Alagoas

Olhar contemporâneo – Arte contemporânea em alagoas uma perspectiva

Galeria Gamma  | Maceió - Alagoas

Ânima alagoana 

Galeria Cesmac de Arte Fernando Lopes | Maceió - Alagoas

Carnelevarium II – Prazeres da Carne

Complexo Cultural do Teatro Deodoro | Maceió - Alagoas

RetroExpectativas

Galeria Cesmac de Arte Fernando Lopes | Maceió - Alagoas

Prêmios

2013

2013 

2017

Menção Honrosa no XV Salão de Pintores Alagoanos do Tribunal Regional do Trabalho

Maceió - Alagoas

1° lugar na categoria pintura no 29º Salão de Artes da Marinha

Maceió - Alagoas

Menção Honrosa Exposição coletiva "Arte Para Todos os Sentidos"

Instituto da Visão | Maceió - Alagoas

Textos 

Texto Curatorial da exposição "Diálogos Urbanos" - Estética e cognição na obra de Pedro Caetano

Um homem propõe-se à tarefa de desenhar o mundo. Ao longo dos anos povoa um espaço com imagens de províncias, de reinos, de montanhas, de baías, de naves, de ilhas, de peixes, de quartos, de instrumentos, de astros, de cavalos e de pessoas. Pouco antes de morrer, descobre que esse paciente labirinto de linhas traça a imagem do seu rosto. Jorge Luis Borges Ao longo de sua existência, a arte desempenhou inúmeras funções. Surgindo em meio à evolução da própria espécie humana, realizou sua jornada até a contemporaneidade assim como um organismo vivo, pulsante e orientado pelas múltiplas temporalidades culturais da humanidade. A princípio (e ainda hoje) uma necessidade: através da imagem representada, reteve, “aprisionou” e teve poder sobre o elemento em foco; durante um logo período, e em diversas sociedades, deu nitidez ao divino, unindo, através da vontade e técnica humanas, o terreno e o supra terreno; de tempos em tempos, retornou ao seus princípios clássicos, onde os ideias de beleza de cada época se tornaram sublinhados, atestando, através dessa ação, a própria condição mutante da estética, quando pensada sob a perspectiva kantiana do gosto. A partir do século XIX, novas e desafiadoras problemáticas inauguraram um processo de desconstrução dos parâmetros anteriores, que resultariam na poética da Arte Moderna e em seu contraposto, originado no Pós Guerra e que, até o presente momento, chamamos de Arte Contemporânea. Esta síntese é a que lemos na grande maioria dos livros de História da Arte, e é através destes encadeamentos em que a crítica de arte procura – de forma mais ou menos cartesiana – inserir os fenômenos aos quais chamamos de fazer artístico. Por outo lado, percorrendo as teorias da arte essencialistas apresentadas por Aires Almeida (2014), vemos que o autor, ao tempo em que apresenta algumas rotas de fuga para a sempre presente questão a respeito do conceito de Arte, também nos posiciona em um mirante de dúvidas quando nos debruçamos sobre o permanente anseio por definirmos o que é arte, pois a cada tentativa teórica ou prática de “cercarmos” o objeto artístico em busca de uma definição, ele nos escapa através de aspectos por veze extrínsecos à própria obra de arte. É a partir destas premissas – a) a história da arte não é um constructo culturalmente linear ou cartesiano e b) as teorias essencialistas da arte (arte como imitação, como expressão e/ou como forma significante) – em que vislumbramos o potencial da inversão proposta pelo filósofo Nelson Goodman, que provocativamente nos indaga: “quando há arte”? Segundo Goodman, a arte, “prepara-nos para sobreviver, conquistar e ganhar, e canaliza a energia em excesso, afastando-a de escapes destrutivos”: a arte é indispensável para a aquisição de conhecimentos, pois na medida em que constrói modelos de realidade, ela expande nosso conhecimento sobre o mundo. (CARMO, 2016) Neste sentido, a obra de Pedro Caetano se torna exemplar à teoria goodmaniana, onde, em síntese, as experiências sensoriais e emotivas se relacionam de modo complexo com as propriedades dos objetos, sendo que o uso cognitivo da emoção não é algo isolado de outros modos de conhecer. Em sua produção artística, arte e cognição se tornam um uno, pois ao não se fecharem a um viés de apreensão reducionista, o artista torna evidente a multiplicidade de maneiras de organização da realidade artística: seu olhar seleciona, abdica, (re)arranja, diferencia, (des)associa, (re)classifica, (re)analisa, (des)constrói todos os modelos de realidade. Nada é efetivamente visto por Caetano “à olho nu”. Goodman afirma: “os mitos do olhar inocente e do dado absoluto são cúmplices perversos”. Não existe, portanto, uma arte puramente retínica: ao selecionar cores, formas, traçados, planos, contrastes, texturas o artista se aproxima intimamente da execução de ações de caráter simbólico, estabelecendo um código para sua própria experiência de mundo. Seu olhar, portanto, é um constructo intencional, “um membro diligente de um organismo complexo e caprichoso” (CARMO, 2016). Dito isto, como decodificarmos a linguagem simbólica de Pedro Caetano sem reduzirmos sua obra a conceitos reducionistas, tais como os oferecidos pela linearidade da história ou pelas sínteses teóricas de um pretenso regionalismo que atingiria a todos aqueles banhados pela luz e paisagem nordestinas? Conhecendo-o. Conhecendo a origem deste código: a própria concepção de mundo do artista. Arquiteto, Pedro tem em si o projectum: do latim, algo lançado a frente pelo esforço antecipado da mente, e a ser concretizado em acordo a um planejamento mental, evidenciando a importância dos sistemas simbólicos do fazer artístico enquanto critérios de correção para as práticas mais corriqueiras da visão. Olhar e visão se tornam, desta forma, diametralmente opostos em sua obra. Ainda que para observadores mais desatentos as minúcias destas escolhas possam ser invisíveis, estão ali a coerência de escolhas que são originárias do próprio sistema cognitivo do artista. Este processar metodológico não é inédito. Pelo contrário, também foi amplamente estudado por Pedro, que sistematicamente se dedica ao estudo e observação das práticas conceituais desenvolvidas pelas vanguardas modernistas. Daí que, em meio ao que podemos vislumbrar como uma mera paisagem povoada de jangadas à beira mar, também estão inseridas lições sobre o construtivismo russo, as lições de cores herdadas do fauvismo e o belíssimo e instigante descolamento das regras da perspectiva renascentista. Assim como um código, só saberá ver quem também obtiver o saber. Pintura e cognição, pintura e cognição, como um mantra que o artista nos relembra ser imprescindível. Em outra obra, o artista – ou o observador? – faz acontecer imagens antropomórficas em situações diversas: a tecerem a trama do filé, a beberem, a banharem-se nas águas... Todos estes, hábitos tão presentes em narrativas identitárias sobre o “ser alagoano”. Pedro Caetano realinha esta suposta naturalidade regionalista com sua capacidade cognitiva, sobrepondo, sobre ao regional, potencialidades próprias, intelectuais, em especial, seu aprendizado (cognição) sobre o Cubismo: a multiplicidade de ângulos sobre a mesma cena, o uso de múltiplos planos de fundo para insuflar – talvez – dualidades e dinamismos pessoais, as máscaras sobre rostos. Icônicas lembranças-lição de Les Demoiselles d'Avignon? Leituras? Vibrações de uma realidade vista, mas estudada com métodos alheios à própria natureza do tema em si? Qualquer resposta pode significar igualmente um reducionismo à potente obra de Pedro Caetano, que inaugura uma modernidade contemporânea singular para Alagoas: intelectual, focada, intencional e desconstrutiva de valores clichês, tão inapropriadamente atrelados à vitalidade da arte como um todo. O que o artista faz quando realiza sua obra não é a cópia de uma realidade, mas, antes, é a edificação de um novo modelo de existir simbólico. Isso nos possibilita afirmar que a arte não imita o real, mas, pelo contrário, constrói exemplares codificados daquilo que acreditamos ser o mundo a nossa volta. A estética não se amálgama com o “belo” e o “único”: seu papel é mostrar o modo como a arte constrói modelos de realidade e se torna uma atividade cognitiva. E nisto, Pedro Caetano demonstra ter precisão cirúrgica. Nós, os que compreendemos seu código, só temos agradecer por esta deliciosa subversão. A arte de Pedro vai além do lugar comum da paisagem e dos personagens locais: apresenta-se como relevos de sua própria mente-coração, por onde – tenho certeza – sempre habitarão as saudáveis e permanentes dúvidas através das quais a arte evolui. E evoluirá. *Texto de Carol Gusmão

Texto Curatorial da exposição “Na Janela do Olhar”

Conheci Pedro Caetano quando ele era estudante de arquitetura e, logo no início das nossas aulas de história da arte, tornou-se claro que aquele aluno de olhar atento possuía um universo irrequieto dentro de si. Esta suposição confirmou-se através de uma curiosidade contínua manifestada sobre os conteúdos que eu abordava, e que passo a passo tentavam mediar os caminhos que, delineados entre a segunda metade do século XIX e começo do século XX, faziam germinar a expressão da modernidade artística. O mais curioso é que, para muitos dos meus alunos, o contato com a arte moderna parecia suscitar um choque desagradável, onde a diluição dos cânones clássicos da beleza desencadeava a produção de obras aparentemente incompreensíveis. Matisse, Picasso e Kandinsky sempre eram pontos de inflexão na disciplina, e onde geralmente os alunos começavam a dimensionar a força daqueles padrões greco-latinos, instaurados em suas próprias culturas visuais. Pedro não era assim. Mais do que nunca, hoje sei que aquele olhar curioso guardava em si as sementes de uma criatividade explosiva, germinadas por uma mente onde a estética e os princípios inovadores da arte moderna já haviam confortavelmente se instaurado. Na pintura de Pedro Caetano, a concessão feita à arte figurativa encontra-se constantemente mediada por qualidades derivadas de uma abordagem conceitual do espaço pictórico. Percebe-se, nesta compreensão, que o artista se afasta da construção focalizada e perspectívica da pintura tradicional, em prol de uma linguagem dinâmica, onde atributos tais como tensão, energia e vibração surgem como qualidades essenciais. Apesar da clara aparência gestual, suas pinturas evocam o equilíbrio, estabelecido meticulosamente pelo controle dos campos de força cromáticos e pela inter relação entre linhas e planos. Neste sentido, vê-se estar em simbiose a face do artista e a face do arquiteto. O traço seguro que rasga ou delimita a cor possui qualidades arquitetônicas. Ele surge como uma ação projetual sobre o plano pictórico, definindo direções, cortes, ritmos, continuidades e indicando inevitavelmente as direções pelas quais o olhar se orientará. Sobre os temas eleitos por Pedro, é notório que parte de sua atenção volta-se à representação dos corpos femininos, dos personagens e cultura nordestinos e das paisagens urbanas. Mas estes não são os únicos. Sob este aspecto, vale ressaltar a pluralidade da obra do artista, que em seu conjunto acaba por ressaltar o comprometimento com os estímulos variados percebidos pela sua extrema sensibilidade estética. Lembro de algo que mencionei no primeiro dia de aula da turma mencionada acima: “a arte não é um êxtase místico, nem vã satisfação dos desejos materiais, mas uma percepção mais clara e eficaz das coisas, um modo mais lúcido de estar no mundo” (Argan). A arte e vida de Pedro são exemplos desta materialização. Fico feliz por este reencontro com Pedro Caetano em meio à beleza e à criatividade de sua obra. E sei que sua arte avançará brilhantemente pelos tempos e pelos espaços. * Texto de Carol Gusmão

Texto de Eduardo Bastos para o suplemento Campus, do Jornal O Dia -  "Imagem, Emoção e Consciência!"

Conheci Pedro no curso de Arquitetura e Urbanismo. Tivemos a oportunidade de trocar algumas ideias em umas disciplinas de Desenhos e Projetos. Desde os primeiros contatos percebi um aluno diferenciado e sensível, observava nas nossas assessorias uma inquietação, cúmplice de uma vontade de ir mais além. Para minha satisfação, tive a oportunidade de fazer parte da sua banca avaliadora de TCC. Alguns anos se passaram, perdemos o contato. Um belo dia, recebi o convite para um vernissage do Pedro. Logo de cara fiquei realmente impressionado com um universo pictórico, carregado de emoção e poesia. Seus temas e suas pinceladas reúnem toda força do artista que não se molda, a prior, a nenhuma formulação acadêmica. Talvez o observador imbuído do senso comum possa estranhar ou mesmo não entender o conteúdo, mas jamais passará indiferente. Pedro nos convoca a um envolvimento com sua obra, seu apelo não é apenas visual, também é tátil. Seus grossos empastos são um convite ao toque, um estimulo aos sentidos e ao sonho. Suas formas não são meramente decorativas, sua ação pictórica e livre, gestual e intuitiva geométrico e o figurativo se abraçam nos temas cotidianos e flertam com o abstrato. Não sinto em sua obra uma preocupação na fidelidade com esse ou aquele estio - isso me parece que não o preocupa, vê um compromisso com uma verdade, como quem quer reinventar a Arte à sua maneira. Vai se descobrindo e redescobrindo, colocando o coração na ponta de um pincel e o gesto cria a emoção E, com ênfase sua cora é testemunho do que diria Merleau-Ponty "A concepção não pode preceder a execução”. Não se percebe vacilo nem medos, o artista se expõe como a dizer ao expectador: "Vá, arrisque-se!. Seja feliz, amigo meu! "Boy, you're gonna carry that weight Carry that weight for a long time..." *Eduardo Henrique Omena Bastos **O texto “Imagem, Emoção, Consciência! ”, de Eduardo Bastos, foi publicado no suplemento Campus, na Edição 0183 do Jornal O Dia, em agosto de 2016.

Texto de Pedro Caetano para o suplemento Campus, do Jornal O Dia -  "Um Pequeno Depoimento"

Falar ou escrever sobre pintura a princípio pode parecer um contrassenso, pois ao seguir as palavras de Matisse, ele nos indica que para pintar, o pintor deve cortar sua língua com o intuito de que se deixe falar a voz da emoção. De certa forma deveria haver um consenso entre os que fazem pintura hoje em dia de que ela é a metáfora dos sentimentos, que são traduzidos plasticamente para a tela. Tenho a impressão de que criar reações emocionais nos observadores e também expressar sentimentos nos tornam mais conscientes da nossa vida e do outro. Grandes artistas do século XX criaram várias maneiras de fazê-lo. Os expressionistas são um belo exemplo disso. Distorciam suas figuras para explorar sentimentos de angústia, sofrimento ou desilusão nascidos também de suas experiências com a guerra. Penso que pintar é se esforçar para criar poesia com as linhas, formas, texturas, com o arranjo das cores e seu enquadramento. A emoção que a arte nos traz, ou que uma pintura possa evocar, a meu ver, é sua verdadeira razão de ser... Concordando com Rubem Alves, a arte, mesmo a dramática, sempre tem objetivo de produzir beleza... ...ela está tanto no assunto do quadro, como na maneira como ele é feito... Essa é uma questão que nasce com o xeque-mate que a fotografia exerce na pintura com o seu surgimento em 1839. Então novas formas de retratar o mundo nasceram a partir dos impressionistas, fauvistas, expressionistas e tantos outros. Existem pintores totalmente abstratos em que seus assuntos são os próprios elementos gráficos, visuais. Não me vejo como um pintor totalmente figurativo, porque os elementos gráficos também fazem parte da pintura que venho fazendo. Entendo que a técnica, o modo como é feito o quadro, vai sendo construído com o tempo e, como diria Matisse, depende muito do temperamento de quem faz. Jamais pintaria realismos, ou faria colagens por exemplo. Os elementos de composição que mais me interessam são o gesto, o enquadramento e a forma. Tiro minhas imagens de desenhos de observações que faço de pessoas e lugares que conheço; outras eu invento. A fotografia já contou muitas histórias, e a pintura pode contar outras, que quando nascidas de um desenho se tornam mais pessoais, pois se limitam à impressão e à seleção de quem desenhou. Diferente da fotografia que nada exclui. Fazer desenhos de observações dos temas do meu interesse é também revelar as imperfeições da minha impressão para torná-las mais individuais, pessoais. Temas familiares são também uma maneira de fortalecer minha memória diante da transitoriedade. De uns tempos pra cá me libertei dessa ideia de 'utopia de um estilo’. É uma utopia no meu caso porque eu não acredito que a pintura é uma poética que nasce do dia pra noite. Ela vai sendo construída diante das hesitações, das aceitações e negações do pintor. Confio mais na fluidez intuitiva da arte e no movimento natural, orgânico. Um quê de Fluxus inconsciente que acho que é a mão que responde, é a sabedoria e inteligência das mãos, não subestimemos a sabedoria manual. A ideia de naturalidade e fluidez me parece um gesto verdadeiro. Um gesto programado pra mim é uma farsa, quase uma mentira. Meyer Shapiro há muito nos alertou que o estilo é um pré-conceito que a história da arte inventou. Porque não haveria liberdade na precisão? E porque não haveria controle no gesto? A lentidão aumenta a precisão A velocidade aumenta a pressão provocando a precisão De jeito mecânico Encontro a liberdade Do gesto romântico... Porque não pode haver prazer na disciplina? Talvez porque o prazer é feito escape de gasolina Ao vento de mais uma adrenalina (qualquer) ... Gesto sem controle é berro E controle sem gesto é erro Gesto é expressão Gesto é rima escura e controle é rima branca... *Pedro Caetano **O texto “Um Pequeno Depoimento! ”, de Pedro Caetano, foi publicado no suplemento Campus, na edição 0183 do Jornal O Dia, em agosto de 2016.